Reforçar a educação dos filhos – Amoris Laetitia X

 


O capítulo VII da Exortação pós-sinodal Amoris Laetitia, do Papa Francisco, trata da questão da educação dos filhos no contexto do matrimônio, na urgente tarefa que as famílias hoje têm de “reinventar seus métodos e encontrar novos recursos” (AL 260), diante dos desafios dos contextos atuais.

De modo bastante simples, o Papa contrapõe vigilância e obsessão. A postura de vigilância se traduz em uma educação para a liberdade e a responsabilidade, que conduzem ao amadurecimento e à autonomia. Obsessão é outro nome para dominação e possessividade.

A educação dos filhos encontra seu trilho em relações de sincera confiança – dos filhos nos pais, dos pais nos filhos –, além de esforços para desenvolver o bem, que sempre tende a valores mais altos e melhores. Esse processo de diálogo educativo conduz a uma formação ética sadia: “A educação moral é cultivar a liberdade..., desenvolver aqueles princípios interiores estáveis que movem a praticar espontaneamente o bem. A virtude é uma convicção que se transformou em um princípio interior e estável do agir” (AL 267).

Liberdade sempre comporta responsabilidade. Como diz aquela lei da Física, que se torna dito popular corriqueiro: toda ação tem uma reação. É o que o Papa insiste em advertir: “É preciso despertar a capacidade de colocar-se no lugar do outro e sentir pesar pelo seu sofrimento... É importante orientar a criança, com firmeza, para que peça perdão e repare o mal causado aos outros” (AL 268). Esse é o fruto de um sadio amadurecimento da liberdade pessoal. Nesse horizonte é que se deve praticar a correção, com paciente confiança, para que na consciência de cada pessoa “a disciplina não se transforme em uma mutilação do desejo, mas se torne um estímulo para ir sempre mais além” (AL 270). Também a capacidade de esperar e o domínio dos impulsos encontra aqui o seu ambiente de educação.

Todo esse processo se faz pouco a pouco, em pequenos e decididos passos. A psicologia, a pedagogia e as demais ciências da educação tem muito a contribuir com as famílias nesse itinerário, sobretudo quando se trata da cura das feridas adolescentes e juvenis, tanto dos pais quanto dos filhos. Esse percurso educativo se amplia e se alarga à medida em que o caminho se faz.

A família, sobretudo, é espaço privilegiado de socialização e de educação para a responsabilidade para com a casa comum, dada a formação da consciência de que todos somos corresponsáveis pelo cuidado da vida uns pelos outros, especialmente das mais frágeis e vulneráveis – vidas humanas e de todo o planeta. O uso com responsabilidade e autonomia das diferentes tecnologias pode propiciar verdadeiro encontro, contato e proximidade, ampliando o acesso à informação e revelando novos horizontes de atuação pela vida de todos. Acima de tudo, as comunidades cristãs são chamadas, nesses contextos, a assumirem cada vez mais sua missão educativa e catequética.

Também a educação sexual tem seu espaço e importância, “no contexto de uma educação para o amor, para a doação mútua; assim, a linguagem da sexualidade não acabaria tristemente empobrecida, mas esclarecida” (AL 280), escapando dos frágeis reducionismos em que o senso comum se detém, e se abrindo para uma verdade e uma ética que incluem, respeitam e valorizam a realidade objetiva e subjetiva de cada pessoa humana.

Por fim, e não menos importante, há de se conceder o devido lugar à educação da fé, pois “a família deve continuar a ser o lugar onde se ensina a perceber as razões e a beleza da fé, a rezar e a servir o próximo” (AL 287), a partir do exemplo dos pais, amadurecendo e desenvolvendo a graça e dom divinos recebidos no batismo. A catequese familiar – ainda mais nesse contexto de pandemia que estamos vivendo – é tarefa da qual não se pode abrir mão.

Como nossas famílias têm dado conta disso tudo? Partilha nos comentários!

Comentários

  1. Excelentes provocações sobre educação. Concordo plenamente com "uma educação para a liberdade e a responsabilidade, que conduzem ao amadurecimento e à autonomia." Um importante desafio de nossas famílias nesse momento. Excelente reflexão

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