Meu primeiro "Dia do Padre"



Hoje tive um dia intenso. Graças a Deus. Intenso em atividades e qualidade. A liturgia hoje era uma espécie de chamado à contemplação: enxergar a mão de Deus que age no cotidiano da vida, para não se deixar vencer pela rotina ou pela mesmice. Acho que ser padre seja um pouco isso: contemplar os sinais da presença de Deus no cotidiano da vida – das outras pessoas e da minha própria. O extraordinário de Deus se dá no nosso cada dia ordinário.

Recebi neste dia uma enxurrada de belas mensagens – e até alguns presentes. Minha prece é para que minha presença seja também uma bela mensagem. Nem sempre é fácil. A gente é humano; tudo que é humano tem limite; tudo que é limitado pode falhar; toda falha pode levar a um fracasso; todo fracasso pode ser um desencanto ou uma oportunidade de se reinventar e começar de novo. Depende do olhar de cada um.

Uma coisa sempre ouvi e concordo: o padre é um homem de Deus. Uma coisa, porém, deve ser clara: “a graça supõe a natureza”, como dizia Sto. Tomás. Ou seja: Deus vai além de nós, mas conta conosco. É claro que uma vocação como o sacerdócio ministerial só se constrói e mantém pela misericórdia de Deus; mas se realiza em nós, pobres mortais. Pode o padre não ser perfeito, nem lá muito santo... mas é terra sagrada, morada de Deus, e sinal de Sua presença. É dom. É graça.

Sou um homem agradecido pela vocação que Deus me deu. Não sinto que a escolhi. Fui escolhido. É diferente. E não sei bem ainda para que, nem as consequências a que vão me levar tal chamado. Deixo que Deus me conduza. Isso me basta.

Agradeço aos meus amigos pelo apoio e oração de hoje e sempre. Que amadureçamos como suporte uns dos outros. E como escolhi para reger meu ministério: “rezem também por mim, para que a palavra seja posta em minha boca para que eu possa anunciar ousadamente o mistério do evangelho, como é minha obrigação” (cf. Ef 6,18-20). Deus abençoe a todos!