A celebração de Finados e o mistério da morte cristã



Uma breve reflexão, segundo a sugestão do elenco de leituras do folheto Celebrando a Vida para esta comemoração (Sb 3,1-9; Sl 41; Ap 21,1-5a.6b-7; Lc 23,44-46.50.52-53.24,1-6a).

A liturgia de hoje evoca em nós os mais diversos sentimentos. Falar da morte, lembrar dos mortos, provoca nossa consciência a meditar sobre o verdadeiro sentido da vida e nos convida a um sério exame de consciência sobre a qualidade de nossas ações neste mundo. A dor e a tristeza sempre aparecem, com pesar. Mas ninguém pode se deixar levar pelo desespero ou pela falta de esperança! Nossa fé nos convida a um novo olhar sobre a morte, à luz do Cristo morto e ressuscitado.

No livro da Sabedoria encontramos já essa certeza: a vida dos justos está nas mãos de Deus. Toda a experiência terrena, vivida na fé, encontra um significado mais profundo quando colocada nas mãos de Deus. Todo sofrimento alcança um sentido redentor tendo clara a esperança da imortalidade, confiando na graça e na misericórdia que Deus concede aos que o amam. O livro do Apocalipse reforça essa compreensão e a amplia: em Deus tudo é novo! A vida humana é recriada pela presença divina no meio do seu povo. Essa aliança de amor comporta uma alegria eterna, porque Deus é capaz de preencher o coração humano em plenitude.

No mistério pascal de Jesus tal esperança se realiza. Ele, que tudo coloca nas mãos do Pai, ressurge da morte para apresentar a seus discípulos a novidade da vida em Deus. A ressurreição de Jesus é a garantia de que a palavra final para a realidade em que vivemos pertence unicamente a Deus. A madrugada da ressurreição não é sombria, mas luminosa; o medo cede lugar à alegria; a promessa se cumpre e assume o caráter de vitória definitiva. 

Por isso, não é preciso temer a morte. A Palavra de Deus nos consola e anima na certeza da vida eterna. Deus espera que vivamos já aqui a vida nova da ressurreição. A graça divina que recebemos no batismo é a força para caminharmos segundo a vontade de Deus. Deixemos nos conduzir por Ele, com confiança, na esperança.