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Comunidade em processo de renovação

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  O primeiro capítulo do livro “Recuperar o projeto de Jesus” trata do ambicioso processo de renovação pastoral da Igreja, a começar no seio de cada pequena comunidade concreta de fiéis, com vistas a atingir “um nível novo de vida cristã mais inspirada e motivada por Jesus” (p. 15). Para começar o caminho é necessário olhar para o nosso tempo atual, buscando identificar suas características marcantes e seus apelos urgentes. O desejo de um mundo melhor para todos se impõe num contexto de abandono da referência a Deus, que contrasta gravemente com a incapacidade de a humanidade dar a si mesma a salvação, a justiça, a liberdade. Isso acarreta uma triste crise da esperança que gera uma grave “globalização da indiferença”, como gosta de assinalar o Papa Francisco, que exige de nós uma renovação evangélica a partir de nossas comunidades cristãs concretas. Impulsionar esse ambicioso processo de renovação exige a adoção de novas opções pastorais, mais decididas e eficazes. Trata-se de um v

Recuperar o projeto de Jesus

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  Cada um está vivendo a pandemia como pode. Para alguns, a rotina praticamente não mudou; para outros, surgiram novos projetos e necessidades; para mim, está sendo um tempo de trabalho menos acelerado, e estou aproveitando para cuidar da minha saúde física e mental. Bons resultados estão aparecendo aos poucos. Gratidão. Compartilho hoje com você que acompanha o nosso Pluriverso Teológico, uma das minhas leituras destes últimos meses, que foi sugerida num encontro do clero de nossa diocese no final do ano passado. É uma obra que eu já tinha no meu acervo (comprado até meio por acaso), mas que eu não tinha ainda arriscado a ler. Mania de bibliófilo. Em nove breves artigos quero te apresentar a obra “ Recuperar o projeto de Jesus ”, do padre e professor espanhol José Antônio Pagola. Uma obra muito interessante, que propõe horizontes para um caminho de renovação das comunidades e paróquias. O momento de pandemia em que nos encontramos – e os sonhos que temos para quando ela acabar – t

Espiritualidade conjugal e familiar – Amoris Laetitia XII

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  O último capítulo da Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia , do Papa Francisco, que completa 5 anos de publicação, nos coloca diante da proposta de uma bela e profunda espiritualidade conjugal e familiar. O amor da vida de família tem dimensões próprias, que revelam o amor de Deus para com todos os seus filhos e filhas. Acima de tudo, “a Trindade está presente no templo da comunhão matrimonial” (AL 314). Deus habita a vida de cada família, se faz presença em cada lar, sente junto com cada um de seus membros as aflições, consolos, dúvidas, sofrimentos, angústias, alegrias, esperanças – situações concretas do cotidiano da vida. E nesse horizonte é que se pode compreender que “a espiritualidade matrimonial é uma espiritualidade do vínculo habitado pelo amor divino” (AL 315), que se manifesta na realidade do amor familiar. Cristo deve ser sempre o centro da vida da família. É o seu amor redentor que a unifica na fé, na caridade, na verdade. Desse modo, “os momentos de aleg

Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade – Amoris Laetitia XI

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  Esse é o título do 8º capítulo da Exortação Amoris Laetitia , do Papa Francisco, sem dúvida um dos mais debatidos pela mídia dentro e fora da Igreja Católica. A meu ver, o capítulo não apresenta dubiedades nem controvérsias, como alguns acusam, mas orienta uma proposta pastoral a partir de uma visão concreta, realista e humanizadora. A grande questão em xeque – o grande background de toda a explanação do capítulo – é o acompanhamento de situações de especial fragilidade quanto à compreensão e vivência matrimonial e conjugal. Vamos ao texto. Em primeiro lugar, o Papa se dedica àqueles casais que vivem casados somente “ no civil ” ou apenas convivem sem nenhuma formalidade legal, bem como as “ uniões de fato ”. Seu grande risco é, numa compreensão débil do significado do matrimônio, gerar uma indisponibilidade para a vivência de um vínculo saudável, comprometido e duradouro e, assim, levar a uma explícita rejeição do valor e do significado do matrimônio, tanto em suas dimensões l

Reforçar a educação dos filhos – Amoris Laetitia X

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  O capítulo VII da Exortação pós-sinodal Amoris Laetitia , do Papa Francisco, trata da questão da educação dos filhos no contexto do matrimônio, na urgente tarefa que as famílias hoje têm de “reinventar seus métodos e encontrar novos recursos” (AL 260), diante dos desafios dos contextos atuais. De modo bastante simples, o Papa contrapõe vigilância e obsessão. A postura de vigilância se traduz em uma educação para a liberdade e a responsabilidade, que conduzem ao amadurecimento e à autonomia. Obsessão é outro nome para dominação e possessividade. A educação dos filhos encontra seu trilho em relações de sincera confiança – dos filhos nos pais, dos pais nos filhos –, além de esforços para desenvolver o bem , que sempre tende a valores mais altos e melhores. Esse processo de diálogo educativo conduz a uma formação ética sadia: “A educação moral é cultivar a liberdade..., desenvolver aqueles princípios interiores estáveis que movem a praticar espontaneamente o bem. A virtude é uma

Entre crises e angústias – Amoris Laetitia IX

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Continuamos no capítulo VI da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, do Papa Francisco, que trata de lançar luzes sobre algumas perspectivas pastorais no complexo universo da família neste início de milênio. Antes de tudo, é preciso ter a consciência de que o amor é chamado a amadurecer com a experiência da vida. Nesse processo, não existe imunidade a crises, angústias e sofrimentos. É entre dores e obstáculos que a alegria do amor se revela, especialmente quando se trata da vida conjugal e familiar. Na verdade, “cada crise esconde uma boa notícia, que é preciso saber escutar, afinando os ouvidos do coração” (AL 232). Crises são oportunidades de reaprender o valor do perdão e do sonho. “Cada crise é como um novo ‘sim’ que torna possível o amor amadurecer reforçado, transfigurado, amadurecido, iluminado” (AL 238). É preciso, para tanto, uma atitude de abertura constante e acolhida solidária, para discernir caminhos de libertação e cura de feridas graves e imaturidades. Uma das mais

Um dia nublado

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  Em dias nublados não me animo a ler. Gosto mais de me dedicar a pensar. E estou aprendendo também a escrever. Dias nublados fazem parte do vai-e-vem meteorológico do mundo. Por mais que haja previsões, não é possível contê-los nem os deter. Eles simplesmente existem, chegam com alguma preparação ou não, e modificam o ambiente, e, quase sempre, também os nossos humores. É curioso como o clima externo influi nessa percepção interna de nós mesmos. Sentimentos e pensamentos se ativam, e nos levam, tantas vezes despretensiosamente. E nos mudam. E nos fazem. A vida interior também seus dias nublados. Ninguém é feito só de luz, nem só de sombras. E por vida interior me refiro a toda atividade do nosso pensamento e sentimento: afetividade, emoção, razão, espiritualidade, sonho, esperança... tudo que nos faz ser como somos, que nos configura como pessoa humana única, irrepetível, singular. Interioridade. Que não se trata de uma exclusão ao corporal, material, externo a nós – porque tamb